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A BÍBLIA E A ESCRAVIDÃO!

(Imagens Google)

A escravidão era um fato aceito no mundo antigo e um fator relevante na vida econômica e social. Os escravos eram frequentemente subprodutos das derrotas de guerra. Frequentemente, alem dos soldados, populações inteira  eram escravizadas. A venda de escravos veio a ser um alicerce comercial no mundo Greco-romano, e chegou a seu auge no século II A.C. O imperador Tito, depois da sua campanha na Palestina, vendeu noventa mil judeus para a escravidão (70AD).

A condição do escravo era variável. Alguns eram forçados a formar grupos acorrentados que trabalhavam nos campos e nas minas. Outros eram artesões de máxima perícia e administradores de confiança. Em geral, os escravos estavam em condições muito melhores que a dos operários livres. Leis romanas eram promulgadas para proteger os escravos e conceder-lhes direitos, até mesmo de propriedades pessoais, que às vezes eram usadas para resgatar o escravo e sua família (Atos 22.27-28). Já no século I AC., a população de escravos se tornara tão grande no mundo romano, que chegou a criar problemas. Os levantes eram frequentes e os donos de escravos ficavam temerosos e desconfiados.

No AT, a escravidão era uma instituição legalmente preceituada e geralmente mais humanitária do que no restante do Oriente Próximo. Visto que Israel era economicamente preferível contratar trabalhadores para fazerem os serviços, a escravidão era menos extensa. Os escravos geralmente cumpriam tarefas domésticas ou compartilhavam das labutas da família nos campos. Os escravos eram adquiridos por compra, como pagamento de alguma dívida, como herança, por nascimento e como prisioneiros de guerra.

Incidentes no AT mostram um pai que vende a filha (Ex 21.7; Ne 5.5), uma viúva que vende os filhos (2 Rs 4.1), as pessoas que vendiam a si mesmas (Lv 25.39; Dt 15.12-17). Uma pessoa podia ser libertada por resgate (Lv 25.48-55), pela lei do ano sabático (Ex 21.1-11; Dt 15.12-18), no ano do Jubileu (Lv 25.8-55) ou por ocasião da morte do dono (Gn 15.2).

Os escravos eram considerados parte da família dos seus donos, e, caso fossem hebreus, tinham o direito ao descanso sabático e a participação nas festas religiosas. Tinham licença para possuir propriedades, até mesmo escravos. Frequentemente, a esposa e a concubina-escrava tinham os mesmos privilégios e não havia distinção entre elas. Os escravos eram protegidos das práticas cruéis, especialmente de atos que ameaçavam a vida (Ex. 21.20).

O sequestro de pessoas era fortemente condenado (Ex 21.16). Israel, como nação, tinha conhecido a escravidão no Egito e, portanto, a experiência do Êxodo desempenha um papel importante tanto no AT quanto no NT. Semelhantemente, é um tema importante nas teologias de libertação.

No NT a Igreja Primitiva não atacava a escravidão como instituição. Porém, reordenou o relacionamento entre o escravo e seu dono (Fm), mostrou que aos olhos de Deus não há “escravo nem liberto” (Gl 3.28) e declarou que ambos tinham que prestar contas a Deus (Ef 6.5-9). O relacionamento interpessoal foi remoldado em termos de caráter de Cristo e do Seu reino.

O impacto total destas verdades não apareceu por completo, a não ser depois da Reforma, quando, então, foi afirmada a verdade bíblica da dignidade pessoal do homem.

Por Pr. Silvio Hirota,
Em 20/10/2010

 

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  1. Samuel Sousa
    21/02/2011 às 12:35

    E o principal: com o que poderiamos comparar a relação entre o escravo e seu senhor no mundo espiritual?

    Nossa relação com Deus. (de sermos posse dele para sempre)

    ou nossa relação com o pecado. (Pois, depois que o escravo hebreu pagava sua dívida era liberto) comparando a Cristo, que pagou nossa dívida e nos libertou…

    Muito Obrigado Pastor.

    Deus lhe abençoe.

  2. Samuel Sousa
    18/02/2011 às 21:28

    Pastor…

    Meu Nome é Samuel, sou Cristão e frequento à AdD…

    Gostei muito de sua menssagem acerca da Escravidão na Bíblia.

    Recentemente fui indagado sobre esse tema; me perguntaram por que a bíblia permitia a escravidão e além disto, a regulamentava, intruindo ao escravo sempre a obedecer a seu “dono”.

    Gostaria que o Senhor me ajudasse a responder essa questão de uma pespectiva espiritual. Se a relação do escravo para com seu senhor simboliza a nossa relação com Deus, ou se remete a Escravidão ao pecado, por exemplo.

    Desculpe se não fui muito claro com as idéias e pelo mal português (não é o meu forte 🙂

    Aguardo sua Resposta…

    Deus nos Abençoe.

    • 18/02/2011 às 22:59

      Samuel, na verdade não há nada na Bíblia que indique que a escravidão tenha tido qualquer conotação com o pecado, mas sim, uma prática da época, e que de certa forma já era uma demonstração de desigualdade social, onde alguém com mais posses podia compra e manter escravos. E, a conotação de escravos na Bíblia, é mais a de um empregado, um ajudador das coisas da casa, mas com todos os direitos a ele pertinentes, não como a escravatura que houve no Brasil, e em outros países do mundo, onde a pessoa era simplesmente considerada um objeto, e , não tinha direito à alforria (liberdade). No aspecto bíblico, além do ” escravo” poder comprar a sua liberdade, alguns gostavam tanto de seus senhores que acabavam ficando com eles.

      • Samuel Sousa
        21/02/2011 às 12:30

        Pastor, mas antes de o pentatéuco ser escrito, os hebreus já haviam sido escravos no egito, uma escravidão semelhante a que tinhamos a pouco tempo atras, logo eles tinham a escravidão como a temos hoje; o escravo como uma mercadoria, tanto é que está escrito em êxodo 21:20,21 –
        “Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado; Porém se sobreviver por um ou dois dias, não será castigado, porque é dinheiro seu”.

        Sei tambem que havia distinção entre escravos Hebreus e estrangéiro, pois este seria escravo para sempre.

        O que eu queria saber é: A lei de Deus é perfeita, logo é a mesma ontem e hoje. Sei que não sofremos as penas da lei, apenas se crermos em Jesus, pois ele levou sobre sí as nossas condenações.

        Creio que na Bíblia, tudo tem um significado Espiritual.

        O que eu não conseguí explicar ao meu amigo foi: porque o Pentateuco admite a escravidão. ou, por que naquele tempo era permitido e hoje não.

        Continua…

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